
Com a feição serena e suave,ela desce ,sem pressa, as escadas do avião.
Entre o percurso da saída e seu destino final, parece sentir cada degrau, como de fosse o primeiro, o único e o último.Parece saborear o gosto da descida como se prolongasse um gozo.
O que se passa em sua cabeça, neste momento?
As lembranças do que jamais será esquecido?
O que ainda há para se realizar?
Ou em cada movimento, apenas sentir a presença do ar entrando e saindo, o coração batendo, a vida pulsando?.
O sabor de se sentir livre, sem algemas?
Ou Nada?
Qual será a sensação de descer cada degrau?
Um pouco mais perto do sonho ou mais distante da prisão?
À sua espera, ao final da escada, uma outra personagem da mesma estória.,. Ela, que não sei o nome, mas que poderia se chamar Esperança, espera também sem pressa, os segundos finais para o reencontro.
Finalmente se abraçam, um abraço difícil de ser traduzidos em palavras, e através delas também me abracei, abracei meus pais que já se foram, os amigos distantes, um grande amor........ Matei a saudade até de quem não encontrei nessa vida. Um abraço compartilhado, coletivo, globalizado.
Depois do abraço, os olhares se tocam e se dizem o que palavra alguma consegue dizer.
E Ingrid Betancourt, traduz aquele precioso momento, talvez para quem as observa de longe, perguntando á mãe:
Isso é o Nirvana ?
Marcia Cristina Rodrigues
