Um incômodo se instalou hoje em mim, pela manhã, vendo o noticiário na tv.
Novamente aquele incômodo, que não conseguia nomear.
Tenho a mania de ficar remoendo sensações desconhecidas. Sei que depois de um tempo elas tomam forma, ganham nome, sobrenome e até idade.
Vendo aquela multidão á porta dos indiciados pelo crime da menina Isabela me assustei novamente.Gritavam : Assassinos e pediam Justiça.
Derrepente a imagem do Coliseu, na antiga Roma me veio á mente.Sensação de dejá-vu. Mas tanto tempo passou desde então.......
Será que a humanidade pouco mudou de lá para cá?
Será que os ensinamentos do Mestre dos mestres, não alcançou ainda nossos corações?
Será que aquelas palavras também foram mortas e portanto esquecidas?
“ Quem nunca cometeu um pecado que atire a primeira pedra”...
Àquela época o povo se dispersou, remetidos que foram á si mesmos. Hoje, o povo ,esquecidos de si mesmos, atiram pedras!
Neste momento, a reação humana desencadeada pela tragédia, me assusta tanto quanto o crime cometido.
Quem acredita, o mínimo que seja, numa realidade espiritual, sabe que a vítima, embora ainda criança nesta vida, talvez (talvez) tenha tido a oportunidade de quitar uma enorme promissória espiritual.
Mas ....e eu que aqui permaneço?Aprendo o que sobre mim mesma com esse espelho escancarado á minha frente?
Que como mãe sou falível, muitas vezes não amorosa e outras tantas que nem me dou conta, de certo agressiva com quem tanto digo amar.
Eu confesso: Já priorizei a cebola do almoço á segurança da minha filha, indo no mercado ali na esquina, e deixando ela dormindo de porta semi aberta, com a paranóia de quem sabe um incêndio.Já me tranquei no banheiro em dias de tpm, para não correr o risco de errar o peso da mão, num momento de birra.
A pior condenação é a que chega pelas mãos da própria consciência.
È assustador saber que tenho dentro de mim um juiz rigoroso, mas também falível,tanto quanto um algoz brutal.
Meu incômodo agora tem nome: um Extremo Pesar.
Por mim mesma! .Por nós!
Olho para o pai e a “madrasta”, inocentes ou culpados, e só consigo me sentir solidária com seu Calvário.
Marcia Cristina Rodrigues.