quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Coliseu é Aqui !

Um incômodo se instalou hoje em mim, pela manhã, vendo o noticiário na tv.

Novamente aquele incômodo, que não conseguia nomear.

Tenho a mania de ficar remoendo sensações desconhecidas. Sei que depois de um tempo elas tomam forma, ganham nome, sobrenome e até idade.

Vendo aquela multidão á porta dos indiciados pelo crime da menina Isabela me assustei novamente.Gritavam : Assassinos e pediam Justiça.

Derrepente a imagem do Coliseu, na antiga Roma me veio á mente.Sensação de dejá-vu. Mas tanto tempo passou desde então.......

Será que a humanidade pouco mudou de lá para cá?

Será que os ensinamentos do Mestre dos mestres, não alcançou ainda nossos corações?

Será que aquelas palavras também foram mortas e portanto esquecidas?

“ Quem nunca cometeu um pecado que atire a primeira pedra”...

Àquela época o povo se dispersou, remetidos que foram á si mesmos. Hoje, o povo ,esquecidos de si mesmos, atiram pedras!

Neste momento, a reação humana desencadeada pela tragédia, me assusta tanto quanto o crime cometido.

Quem acredita, o mínimo que seja, numa realidade espiritual, sabe que a vítima, embora ainda criança nesta vida, talvez (talvez) tenha tido a oportunidade de quitar uma enorme promissória espiritual.

Mas ....e eu que aqui permaneço?Aprendo o que sobre mim mesma com esse espelho escancarado á minha frente?

Que como mãe sou falível, muitas vezes não amorosa e outras tantas que nem me dou conta, de certo agressiva com quem tanto digo amar.

Eu confesso: Já priorizei a cebola do almoço á segurança da minha filha, indo no mercado ali na esquina, e deixando ela dormindo de porta semi aberta, com a paranóia de quem sabe um incêndio.Já me tranquei no banheiro em dias de tpm, para não correr o risco de errar o peso da mão, num momento de birra.

A pior condenação é a que chega pelas mãos da própria consciência.

È assustador saber que tenho dentro de mim um juiz rigoroso, mas também falível,tanto quanto um algoz brutal.

Meu incômodo agora tem nome: um Extremo Pesar.

Por mim mesma! .Por nós!

Olho para o pai e a “madrasta”, inocentes ou culpados, e só consigo me sentir solidária com seu Calvário.

Marcia Cristina Rodrigues.